terça-feira, 1 de setembro de 2015

Encontro sobrenatural

Tudo começou nessa última semana, meu amigo me procurou dizendo que tinha visto um homem com roupas antigas, andando pela sala da casa do seu Tio.
Como sempre perguntei para ele se não foi apenas um sonho.
Ele respondeu que não, naquele dia toda a família dele estava na casa do tio dele para almoçar, como era costume nos fins de semana .
Perguntei para ele qual era o aspecto da pessoa que ele tinha visto. Ele respondeu que era uma Pessoa bem alta com barba comprida usando um Sobretudo e um chapéu da época. Ele tinha avisado os familiares mais ninguém tinha acreditado, a mãe dele falou que era só a imaginação dele, ou estava assistindo muito filme de terror.
Então resolvi ir na casa do Tio do Tiago para fazer uma oração, chegando lá percebi que a casa era muito escura, as janelas estavam fechadas.
Perguntei para o Tiago se a casa sempre ficava totalmente fechado, ele falou que era mania do tio dele só quando chegava alguma visita ele abria a casa para luz do sol entrar, no resto do tempo ficava totalmente fechado.
Quando batemos na porta o tio dele nos recebeu,o Senhor Tulio é uma pessoa bem legal mas estava com alguns problemas de saúde.
Então resolvi fazer a Oração, chamei o Tiago e o Tio dele para ir na sala da casa e começamos a Orar, algo estranho aconteceu começou a ventar dentro da sala fechada.depois uma forte corrente de ar conseguiu abrir a janela do quarto, Eu e Tiago fomos ver o que tinha acontecido, a janela estava se debatendo, olhei para o espelho do quarto e vi um vulto rapidamente saindo pela a janela e Tiago ficou assustado.
Mas percebi que o Tio dele não, Perguntei por que não ficou assustado, ele falou que já era normal isso lá na casa dele.
Ele começou a contar alguns relatos estranhos que já tinham ocorrido na casa ele falou que um dia, o fogão começou a acender sozinho e os copos começaram a se quebrarem sozinhos.
Depois desse dia, eu e o Tiago começamos a visitar o Tio dele a semana inteira para fazer Orações.
No dia seguinte, perguntei para o seu Tulio se ele tinha conhecido um senhor alto co barbas longas ele respondeu que não.
Perguntei também, quanto tempo ele morava lá, ele respondeu que tinha mais de 30 anos, e que comprou a casa de uma família Polonesa.
Ele convidou Eu e o Tiago para tomar um café já era,6 horas da tarde e começamos a falar sobre Histórias sobrenaturais.
O tio Tulio tinha falado que já tinha Brincado com a brincadeira do copo quando era mais jovem dentro da casa, ele me perguntou se tinha algo a ver que estava acontecendo na casa, Eu falei que poderia ser isso. Fizemos a oração e Tiago e eu fomos embora.
Nesse Ultimo domingo, Tiago não pode ir na casa pois precisou sair com a namorada dele, então decidi ir sozinho, chegando lá percebi que o clima estava mais pesado.
Percebi que o Senhor Tulio estava Pior, não estava conseguindo sair da cama, quem me atendeu foi um primo do Tiago que estava lá.
O estranho que o Tiago nunca tinha me falado nesse primo, mesmo assim fui no quarto e fi a oração, o primo dele ficou do lado de fora do quarto. O que achei interessante foi o livro que ele estava lendo, um livro muito grosso com a capa preta mas sem nenhuma descrição no lado de fora.
Quando acabei a oração sai do quarto mas o primo do Tiago não estava lá, entrei novamente no quarto e perguntei para o Tio do Tiago aonde estava o filho dele ele falou que não tinha filhos. Nossa, isso foi de arrepiar.
Mesmo assim liguei para o celular do Tiago para perguntar se ele tinha algum primo, ele respondeu dando que sim mas não moram em São Paulo mais sim em Minas Gerais, e faz tempo que não os via. 
Desliguei o celular e me arrepie todo, de fato aquilo não foi normal, sai da casa e fui embora.
De Domingo para segunda tive um sonho estranho, sonhei com o rapaz que me atendeu enterrando o livro dentro da casa, acordei assustado, já era de manha, tomei o meu café e fui Trabalhar.
Na parte da Tarde, às 5 horas sai do serviço e liguei para o Tiago e fomos novamente na casa fazer oração Ouvimos um barulho no quartinho dos fundos, chegamos lá e percebi algo semelhante no meu sonho, era o mesmo lugar.
Pedi para o Tiago pegar uma pá para cavar debaixo da cama, ele achou muito estranho mais entendeu. Comecei a cavar bem fundo até encontrar um vaso muito antigo lacrado e debaixo do vaso um livro com capa preta mais sem nenhuma descrição, Abrimos o vaso e dentro tinha cinzas de algum falecido.
Neste momento estou tentando pesquisar o Histórico da casa e o paradeiro da Família Polonesa que morava na casa. Queimei o livro, e o vaso coloquei no Cemitério da Vila Formosa.

O quarto de hotel

Certa vez,  um homem cansado chegou a um hotel e foi falar com a recepcionista: “por favor, eu queria alugar um quarto para uns três dias”, “com certeza, senhor. O seu quarto é o 333, no 3° andar. As suas bagagens serão levadas daqui a pouco. Mas só um aviso: não entre no quarto 332″. O homem, indignado, perguntou “Porque não? O que há naquele quarto?” “Bom…” , respondeu a recepcionista, “Há um tempo atrás, uma mulher se suicidou e o gerente não quer que ninguém entre lá. Pronto, aqui está sua chave e boa noite.” O homem pensou “que besteira, é só lenda de hotel mesmo” e foi até o seu quarto. Quando passou pelo quarto 332, ficou morrendo de curiosidade, mas resolveu que iria só dormir. Na noite seguinte, ao voltar ao hotel, foi até a porta do 332 e espiou pelo buraco da fechadura. Ele viu uma mulher muito branca, com os cabelos pretos e a cara  virada para a janela. Ele ficou realmente muito curioso, mas resolveu voltar ao seu quarto. No próximo dia, ao ir embora do hotel, resolveu dar uma última espiada na mulher misteriosa do quarto ao lado. Ele olhou pela fechadura e viu tudo vermelho. Pensou “Ah, ela deve ter percebido que eu estava olhando e botou um pano na frente”. Ele desceu até o saguão e se encontrou com o gerente, então perguntou “O que realmente aconteceu naquele quarto 332?” O gerente, perturbado, respondeu “Faz tempo que aconteceu, mas eu ainda lembro bem… Um casal estava hospedado naquele quarto, e por alguma razão, o marido assassinou a sua esposa. Desde aquele dia, a mulher continua lá.” “Entendo…” falou o homem ” Mas como ela era?” e o gerente respondeu “Tinha cabelos pretos, cor de breu, era branca como um lençol e seus olhos são completamente vermelhos…

sábado, 29 de agosto de 2015

Ultimo suspiro



Era uma noite calma, como todas as segundas-feiras. Do céu caía uma fria garoa que em contato com meu corpo proporcionava um arrepio desigual. Tinha recém-saído da aula de economia que hoje se prolongou por mais duas horas, o professor estava com um fôlego, louco para contar suas experiências da viagem à China. Pelo atraso da aula, perdi meu ônibus e tive que voltar sozinha pelas escuras ruas da cidade. Todas as lojas já haviam fechado e pela calçada os poucos que circulavam desapareciam ao entrarem em suas casas. Coloquei meus fones de ouvido para tornar a caminhada mais curta, escutava a quinta sinfonia de Beethoven, tal música me trazia uma paz interior inexplicável. A cada minuto de caminhada parecia que as ruas se tornavam mais escuras e vazias, já não se viam mais carros passando e muito menos pessoas, até as luzes das casas já estavam apagadas e ainda nem se passou da meia noite, havia algo de estranho acontecendo, disso eu tinha certeza.

Comecei a apressar os passos com anseio de chegar em casa logo e correr para os braços de meu marido, que já devia estar preocupado. Estava com a sensação de ter alguém me observando, mas quando procurava em volta, nada encontrava. A cada passo que dava uma gota de suor frio escorria pelo meu rosto, me dei conta que já estava correndo e tinha a certeza que alguém corria atrás de mim.

Não tinha mais forças para olhar para trás, ver quem era, saber o porquê me perseguia loucamente, só não via a hora de chegar em casa segura com a sensação de que tudo passou.

Eu não tinha mais fôlego para correr, decidi parar, me entregar ao desconhecido. Dei meu último passo, meu último suspiro e olhei para trás.

Não havia ninguém, nem ao menos um gato, a rua estava vazia como quando comecei minha caminhada. Pensei estar louca, mas me senti aliviada por ser apenas uma alucinação. Fui andando para minha casa e quando abri a porta dei um suspiro com tanto vigor, como se agradecendo por estar viva. E eis que, ao fechar a porta, encontro um estranho, vestido com um capuz preto, segurando uma faca ensanguentada e me admirando com um olhar maquiavélico. Aquele com certeza foi meu último suspiro


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lighs


Lucas estava perplexo com a lâmpada em seu quarto. Era noite, ele tentava dormir e estava sozinho em casa, como sempre quis. Afinal, quem nunca quis dormir sozinho em casa? Provavelmente a maioria das pessoas.
A lâmpada estava apagada. O interruptor fez barulho. E agora estava acesa. Barulho do interruptor.  E estava apagada. Interruptor. Acesa. E continuava nesse ritmo, há quase meia hora. Como se alguém estivesse brincando com ele, apagando e acendendo a luz. Ele olhava o interruptor que ficava do lado de sua cama se mexendo sozinho, mais apavorado do que nunca. Não conseguia gritar, mas do que adiantaria? Não havia ninguém ali para ouvir. Cansado daquilo, saiu do quarto. Dormiria na sala. Não adiantou. Não totalmente. Ele ainda ouvia o barulho do interruptor, e via a luz fraca, de longe. Ligando e desligando. Após alguns minutos, conseguiu dormir.

Eram três da manhã quando seu celular despertou. Lucas é daquele tipo de pessoa que coloca o celular para despertar em algum dia, por algum motivo (compromisso, tarefas, etc..), e esquece. Mas não se lembrava de ter colocado para despertar a essa hora nunca, até porque ninguém tinha compromisso essa hora.

A luz agora parara de acender e apagar. Já era hora. Como não acontecia nada agora, ele voltou para seu quarto. Estava tudo normal. Exceto pela janela, que estava aberta. E havia respingos de sangue em baixo dela. Ele não estava mais sozinho em casa. Agora havia mais alguém com ele, provavelmente algum foragido que se feriu enquanto fugia da viatura, e conseguiu entrar na casa dele para se esconder, ou algo assim. Foi oque ele pensou.

Correu pro telefone, na sala de visitas, ligaria para a policia, depois para seus pais. O telefone chamou umas duas vezes, e quando atendeu não era um policial. Após uns 3 minutos de silêncio, oque Lucas ouviu foi o mugido de uma vaca que aparentava sentir uma enorme dor, quase como se estivesse morrendo. Enquanto Lucas ouvia, mesmo olhando para o telefone que ele segurava na frente do rosto, não só a luz de seu quarto, mas de toda a casa ligavam e desligavam, todos os interruptores faziam um barulho, quase uníssono.

Lucas largou o telefone, deixando-o pendurado pelo fio, e olhou para o relógio do seu celular. Ainda três da manhã. O tempo literalmente não passava. Enquanto isso o mugido continuava, até que parou repentinamente e o telefone ficou mudo, e as luzes desligaram. A casa estava tão silenciosa, que Lucas ouvia sua própria respiração, de certa forma um pouco calma, mas sentia que tinha mais alguém ali. Sentia uma presença. Mas uma presença diferente, uma presença um pouco... “vazia”. Como se não fosse alguma coisa viva ali, mas como se fosse algo como uma estátua, encarando-o. Devido ás luzes da rua que entravam por algumas janelas, e deixava a casa um pouco (muito pouco) mais clara, ele podia ver uma silhueta no fundo da sala, á uns 15 metros de distância. Uma sombra. Alta. Mas não grande. Apenas como uma pessoa alta. A figura encarava-o. Então, em outro cômodo da casa, a televisão ligou, chiando, muito alto.

Todas as luzes da casa ligaram. Não havia nada ali encarando Lucas. Por um momento ele  pensou que pudesse ter sido apenas uma ilusão de óptica. E um segundo depois todas as luzes se apagaram. E a sombra estava ali novamente, mas dessa vez estava mais perto.

Após 5 minutos olhando a sombra que o encarava, o celular de Lucas tocou, mas a musica que tocou não era a que ele colocou um dia. Oque tocou não foi uma musica. Foi barulho. Barulho de passos de uma pessoa grande em uma casa de madeira. Lucas pegou seu celular. Olhou o número. Estava com o número “123”. As luzes se acenderam e a figura sumira. Como seu celular ainda tocava, Lucas tentou atender, mas não conseguiu. Após um tempo ouvindo aqueles passos vindos de seu celular, a chamada foi perdida. E as luzes, apagadas no mesmo instante.

A sombra estava agora quase em cima de Lucas. Para olha-la, Lucas tinha que olhar para cima. Ela parecia muito maior agora. Parecia ter que se curvar um pouco pra frente para encara-lo. Ele ainda não via o rosto.

A figura pareceu curvar a cabeça um pouco pro lado, as luzes se acenderam. Mas dessa vez a criatura continuava ali. Encarando-o. Lucas não sabia oque era. Creio que ninguém saiba. Era uma criatura horrível. Usava uma capa preta, que não tinha mangas para os braços, e cobria todo seu corpo, menos sua cabeça. E no lugar na cabeça, havia o crânio de um boi. Com a mandíbula toda ensanguentada, como se tivesse acabado de comer algum animal (ou alguém). A criatura encarava-o. As crateras no lugar dos olhos davam-no uma sensação vazia. Uma sensação de que Lucas não sentia nem nunca havia sentido nada. Nada além de medo, de desespero. E era só isso que ele sentia agora. As luzes se apagaram.

Dois dias depois, quando seus pais voltaram, não acharam Lucas. Em sua cama havia sangue. E um bilhete com uma letra estranha e vermelha que parecia tremer na folha, que dizia:

“Você trabalhou no abatedouro. Conversou comigo uma vez. Lembra-se do que me matou? Claro que se lembra. Todos lembram. Lembra-se do meu nome? Não. Porque lembraria? Ninguém lembra. Apenas digo, que a partir de agora, você vai se lembrar de mim. Vai se lembrar quando ver mais casos como o de seu filho nos jornais. Casos de desaparecimento. Casos de pessoas sozinhas em casa que nunca mais foram vistas. Primeiro apenas daqueles que me viram e nunca se lembraram quem sou. Depois serão pessoas de todas as idades, gêneros, raças. Todas. Qualquer um. Quanto mais almas eu conseguir, melhor. O que fiz antes de morrer é conhecido como “pacto”. Fiz apenas por prazer. Todos que me viram me descartaram, e me largaram sozinhos. Agora eu faço oque sempre quis, mas de certa forma não deixo as pessoas exatamente sozinhas. Seu filho queima agora. Queima com todos aqueles que peguei, e vai queimar com todos aqueles que ainda pegarei. E quando você estiver sozinho em casa, você queimará junto dele. Lembre-se de mim como Lights. Quando estiver sozinho em casa e for noite, você irá entender o motivo desse apelido.”

Ao terminar de ler o bilhete, Gregório decidiu que o mostraria à polícia, então deixou o bilhete na cama e foi até o telefone. Quando voltou ao quarto, o bilhete havia sumido, e todo o sangue também. Não tinha nada errado naquele quarto.

Aproximadamente ás 19:00 horas, sua esposa decidiu ir para a casa da mãe, e decidiu que dormiria la, pois queria a companhia de parentes mais “próximos”.

Era agora uma hora da manhã, Gregório estava deitado no sofá da sala, assistindo ao jornal, que falava de outra pessoa que desapareceu depois de ter ficado em casa sozinha de noite; a jornalista disse que a pessoa desapareceu em um Sábado (um dia depois de tudo que aconteceu com Lucas). Gregório lembrou-se então da carta que havia esquecido enquanto ainda era tarde, já que tinha mais coisas pra cuidar, como por exemplo a esposa inconsolável chorando desesperada. Lembrou-se do que estava escrito: “...E quando você estiver sozinho em casa, você queimará junto dele. Lembre-se de mim como Lights. Quando estiver sozinho em casa e for noite, você irá entender o motivo desse apelido.”

A televisão começou a chiar muito alto. O Chiado parou. As luzes da casa se apagaram.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Não pise nas sepulturas


De agora em diante, irei contar algumas histórias aleatórias que não aconteceram comigo..
Tenham um bom pesadelo... 


Em uma noite um grupo de jovens estavam voltando de uma festa ainda animados. eles bebiam e riam alegremente. Até que um deles, ao perceber que estavam chegando perto do cemitério da cidade, decidiu contar histórias de terror. As meninas do grupo foram as que estavam ficando mais assustadas com suas histórias.
- Estamos quase passando pelo cemitério, vocês sabiam que nunca devemos pisar em um túmulo após o sol se por? Se vocês fizerem isto o morto agarra suas pernas e as puxa para dentro da sepultura.
- Mentira. – disse uma delas. – Isto é só uma superstição antiga.
- Se você é tão corajosa, por que não nos mostra? Eu lhe dou R$ 50,00 se você pisar em alguma sepultura. 
- Eu não tenho medos de sepulturas e nem dos mortos. Se você quiser faço isso agora. 
O menino lhe estendeu uma faca e disse: 
- Crave isto em um dos túmulos e então nos saberemos que você esteve lá. 
Sem hesitar a garota tomou-lhe a faca e caminhou até a entrada do cemitério, sobre a surpresa dos olhos de seus amigos que duvidavam que ela tivesse esta coragem. A garota entrou no cemitério onde o silencio era total, sombras fantasmagóricas eram formadas pela luz da lua e ela teve a impressão que centenas de olhos a observavam. Chegando ao centro do cemitério olhou em volta. 
- Não há nada a temer – disse a si mesmo tentando se acalmar. 
Então ela escolheu um túmulo e pisou nele, depois cravou a faca no chão e virou-se para ir embora, mas algo a deteve. Tentou novamente , mas não conseguiu se mover, ficou apavorada! 
- Alguém esta me segurando!!! – disse em voz alta e caiu no chão. 
Como ela demorava a voltar o grupo de amigos decidiu ir atrás dela, caminharam um pouco e a encontraram sobre um túmulo. Ela estava morta com uma expressão de terror no seu rosto. Inadvertidamente a própria garota havia cravado com a faca sua saia no chão, com muito medo ela pensara que algo sobrenatural a segurava e sofreu um ataque cardíaco morrendo em seguida...

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pela escada

Não que eu estivesse atrasado, porém se esperasse por mais alguns minutos certamente ficaria. 
Ajeitei a mochila sobre o ombro e apertei novamente o botão do elevador mas, por mais que ouvisse os cabos se movendo e o motor funcionando, nunca chegava até o meu andar. 
Eram apenas três andares. Preferi usar as escadas. 
Abri a porta do corredor que conduzia ao primeiro lance e o sensor de movimento imediatamente acendeu a luz, revelando o caminho até uma porta no lado oposto, que dava na outra metade do andar.
Hesitei por alguns momentos, de ouvido em pé, para ver se o elevador já estava chegando. Apenas o som do motor continuou ecoando pelo fosso que atravessava os andares, mas nem sinal dele chegar.
Então entrei e fechei a porta atrás de mim, bem no momento que ouvi um "clique" e o sensor apagou a luz. O tempo de espera não era muito longo.
A escuridão caiu maciça à minha volta, negra e quase sufocante. Um indício de claustrofobia me fez agitar os braços ansiosamente, me sentindo um idiota assim que a luz tornou a acender. 
Achei melhor me apressar. Se a luz do andar acima apagasse antes que eu chegasse no perímetro do sensor abaixo, poderia acabar rolando alguns degraus com aquela escuridão tão intensa.
Cada andar era separado por três lances de seis a sete degraus, virando sempre à direita. Desci o primeiro e dei de cara com a escuridão do segundo andar invadindo o segundo lance de escada. Senti um leve arrepio e comecei a descer mais rápido, preocupado com a hora que a luz acima apagasse. 
A luz abaixo levou um segundo a mais para acender, quando atingi o último degrau do terceiro lance. No instante seguinte ouvi o "clique" da luz acima se apagando.
"Melhor descer um pouco mais rápido", pensei. Como da outra vez o lance do meio estava escuro até a metade. Acelerei o passo, começando a ficar mais nervoso do que imaginei que ficaria.
Curiosamente, dessa vez a luz superior apagou antes que eu terminasse o terceiro lance e a escuridão o envolveu por dois segundos.
Nesses dois segundos senti algo que me apavorou: algo me espreitava através da escuridão. Podia sentir e quase ouvia sua respiração. A luz superior continuava apagada.
A luz do andar que eu estava acendeu. Não havia ninguém.
Agora comecei a descer as escadas correndo, sentindo um suor frio escorrer pela minhas costas. Não fazia sentido algum, mas quanto mais rápido eu ia, mais rápido as luzes apagavam e mais tempo demoravam a acender.
Já não fazia ideia de em qual andar eu me encontrava, nem quantos lances ainda haveria de descer, mas a presença que me perseguia era uma certeza constante e cada vez mais próxima. Ouvia passos, mas não conseguia identificar se eram os meus que ecoavam escada acima.
Tropecei e deixei a mochila cair. Ouvi o "clique" da luz superior apagando e nada da próxima luz acender. Abaixei-me e tateeio chão atrás da mochila, notando que por mais ruidosa que minha respiração estivesse, não encobria o pavor de sentir que algo se aproximava inexorável e lentamente pelas minhas costas, como se tivesse a certeza de que me alcançaria por mais que eu corresse. 
A luz acendeu e vi o "T" pintado na parede. Finalmente o térreo. Peguei a mochila a tempo de sentir um leve movimento cálido em minha nuca.
Corri em direção à porta de saída sem coragem de checar se tinha mesmo alguém atrás de mim e quanto mais corria, mais longe a porta ficava. Me desesperei. Algo escorreu pelo meu rosto. Poderia ser suor ou lágrimas, mas não lembrava de ter começado a chorar. Faltava pouco e estendi a mão para segurar a maçaneta. Um último impulso e soltei um gemido que foi quase um grito de terror. Se demorasse mais um segundo para alcançar a maçaneta a luz poderia…
"Clique."

Reflexo

Você sabe quem eu sou. Não finja o contrário. Você me ignora e isso está me irritando. Eu te vejo todos os dias, desde quando você nasceu, porém você não sabe disso. Eu realmente queria conversar com você mas porque você não vem quando eu te chamo? Tento te convencer a vir usando as vozes de pessoas que você conhece mas você é esperto, não cai nessa. O máximo que faz é perguntar se alguém te chamou. Você ainda não sabe do que eu estou falando? Sabe quando você ouve alguém te chamar mas quando vê é só impressão? Era eu quem te chamava para me fazer companhia mas você era esperto e não ia. Ainda não sabe quem eu sou? Eu sou você. Eu sou seu reflexo. Por que não quis vir quando eu te chamei para trocar de lugar comigo no espelho?

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Olhos negros

- Não sei quem sou, ou por que estou aqui, tudo que me lembro é de ter acordado nesse lugar… Não tenho nada além de minhas roupas, não há sinal algum de vida humana pelas redondezas, me sinto só, desconfortavelmente só e perdido nesta imensidão verde. Era como um paraíso à princípio, vi vaquinhas pastarem, procurei por seus donos, mas para meu desespero vi que elas eram minha única companhia…

Resolvo não permitir minha morte em um lugar tão distante, arrumei madeira de árvores cujos galhos consegui quebrar à mão, encontrei, por perto, carvão mineral; estava bem próximo à entrada de uma caverna na qual atrevi-me a aventurar. Construí uma cabana robusta, ao lado de um lago, um lugar lindo que por um breve momento confortava minha solidão. Fiz de tudo para me sentir em casa e me conformei com o que havia feito era pouco, mas era suficiente, com lã de ovelhas que pastavam próximas aos campos, consegui fazer uma espécie de cama, me orgulhei do que fui capaz de fazer.

A noite se aproximava e eu me preparava para passar o primeiro dia perdido em meio ao nada, quando vi um vulto passar por entre os vãos da madeira -Seria minha imaginação? -pensei.

Tentei dormir, mas voltei a ver o vulto, minha curiosidade e desejo de encontrar outra alma viva me impulsionou ao escuro, a paisagem agora era diferente, o paraíso deu lugar a um limbo inóspito, senti medo e quis voltar para a segurança do meu abrigo, no entanto, de longe, vi aquele vulto… o que era? Nesse momento e de longe vista, me parecia apenas um homem. Corri em direção a ele me afastando de meu abrigo e ao me aproximar notei algo diferente nele: Ele não possuía braços. Receoso me aproximei mais…

Desta vez de forma oculta, queria vê-lo, mas não queria que me avistasse, meu coração acelerou quando cheguei perto demais e um raio caiu do céu atingindo uma árvore próxima, o fogo que surgiu me fez ver dois olhos vazios e sem expressão vindos daquela criatura grotesca, senti medo, não era humano. Me afastei (a essa altura sabia que era melhor voltar ao abrigo e me convencer que fora apenas um sonho), me recusava a olhar para trás, mas vi sua silhueta se mover em direção a mim, nesse momento começou a chover, parecia que todos os elementos haviam se voltado contra mim, o fogo que iluminava o ambiente se apagou e perdi de vista a criatura.


Neste momento, com um frenesi de medo, corri em direção ao meu abrigo, eu era capaz de ouvir passos que me seguiam, estava com muito medo, parecia que meu abrigo, outrora tão próximo, havia corrido de mim, se afastado uns 3 km de onde o havia deixado. Quando finalmente cheguei, estava ofegante e encharcado, nunca sentira tanto medo assim, temia por minha vida e pensava naqueles olhos vazios… o que era aquela criatura?

Senti-me seguro por cerca de dois minutos quando ouvi passos, minha pequena cabana não inibiria a entrada daquele ser estranho de pele verde escamosa, sai com um galho de árvore em mãos e uma tocha improvisada que fiz com o carvão e a madeira que tinha; crio coragem e me lanço para fora. Chovia muito e raios estavam caindo com frequência assustadora, olhei em volta em busca da criatura, não havia nada além da escuridão da noite, do tímido feixe de luz de minha tocha e dos berrantes clarões dos raios no céu, que faziam o ambiente parecer cinzento.

Olhei para trás aliviado por pensar que fosse minha imaginação, mas dentro da cabana, (imagine meu susto!) lá estava ele, estava escuro, mas fui capaz de perceber sua ausência de braços, seus olhos vazios e penetrantes, era alto e tinha quatro pernas bem curtas, não estou certo quanto a isso, mas parecia ter uma pele escamosa e verde…

Ele se aproximou de mim lentamente, eu estava paralisado de medo, seu olhar me petrificou, fiquei imóvel, suava muito e estava certo de que morreria, a criatura aproximou-se mais, cheguei a caminhar para fora mas não conseguia mover-me mais. Aquilo me seguiu para fora, a chuva forte apenas intensificava meu medo, não tive reação, aquilo se aproximou ainda mais, agora já podia vê-lo claramente, mas teria escolhido não o tê-lo visto, sua aparência me atormenta, a situação era arrepiante, gritei subitamente de medo e a criatura com seu olhar vazio e negro, apenas emitiu um som: Shhhhhhhhhhhhhhhhhh…

Me calei, nesse momento fechei os olhos e munido do galho que tinha em mãos, ataquei a criatura que correu rumo às sombras da noite… em seguida jurei ouvir uma explosão… mas me faltou coragem para ver o que havia acontecido. Que lugar louco é esse onde estou?


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

3:15

Domingo, 23 de agosto..

Acordei no meio da madrugada. Sentia uma grande vontade de ir ao banheiro. Fazia frio naquela noite, e foi difícil se levantar da cama quentinha para o ar do quarto gelado. Assim que pisei no chão frio amaldiçoei a hora em que inventei de levantar, ir ao banheiro e beber água antes de se deitar.

A escuridão do quarto só era quebrada pela fraca luz vermelha do visor do rádio-relógio, em números garrafais: “3:15”. Pensei em qualquer coisa desagradável, mas logo fiz questão de esquecer. A meta era ir ao banheiro, beber agua e logo voltar para a cama.

Abri a porta, que rangeu baixinho. Fora do quarto, a cozinha também estava fracamente iluminada, mas pela luz da lua cheia que entrava pálida pela janela. Ao longe, ouvia sons esporádicos de carros notívagos na avenida, além do zumbido elétrico da geladeira e do tique-taque monótono do relógio na parede, também mostrando os mesmos três e quinze, quase imperceptíveis na penumbra.

Meus olhos ardiam de sono e, enquanto eu caminhava na direção do banheiro, ouvi um outro som, murmurando, vindo da parede. Um som leve, uma voz humana, mas não se distinguia o que era exatamente.

Parei no meio do caminho para o banheiro do pequeno apartamento. Surgiu, de imediato, a curiosidade: “Que seria isto?”, perguntei a mim mesmo.Mudei de direção, no rumo da parede. Encostei o ouvido na gelada parede. Veio, em minha mente, como um longínquo devaneio, a imagem de minha mãe me dizendo que era muito feio bisbilhotar, moralismo este logo sufocado pela autojustificação de certificar que nada de mau ocorria no apartamento da vizinha.

Lamúrias indistintas vinham de dentro da parede. Um choro de viúva, típico de velório, corria pelos frágeis tijolos até meu ouvido. Eu sabia pouco sobre a velha do 54, tampouco seu nome. Só sabia que morava sozinha, e demonstrava hábitos ultrapassados sempre seguidos de uma simpatia senil que me incomodava. Sempre que podia, eu fugia dela, mas não podia evitar os encontros nos corredores e locais públicos do condomínio. Não sabia bem o porquê, mas eu evitava a velha. Devia ser choque geracional, explicava rapidamente para mim mesmo.

Tomei um susto. Enquanto refletia sobre a velhinha e o que poderia ser aquilo, o choro que estava baixo e distante subitamente ficou mais alto, como se a velha saltasse para perto da parede exatamente do outro lado em que eu me encontrava bisbilhotando. Num soluço de medo, me afastei da parede.

- “Mas... Que estranho...” – o choro pareceu ganhar ressonância ao seu redor. Vinha de todo lugar, ecoava nas paredes do apartamento, quase que num efeito de sala de cinema. A sua consciência, personalizada pela imagem da mãe, surgiu instantaneamente em sua mente, culpando-a das consequências de sua curiosidade. “Fui pego? Não... Não pode ser possível, deve ser coisa da minha cabeça”. Tapei os ouvidos. Silêncio. Não estava em minha cabeça. Soltei as mãos devagar da cabeça, e o chorinho parecia mais desesperado agora, como se a viúva fosse se lembrando da dor de sua perda, ao lado do caixão do falecido. Vinha de todos os lados. E era real.

A geladeira desligou num estalo. Olhei em sua direção e quase cai de costas no que vi: uma sombria presença, esguia e de forma humana estava imóvel, voltada para mim, do lado da geladeira.

Soltei um soluço abafado e senti fraquejar um pouco, mas o instinto de sobrevivência me impulsionou para a porta do apartamento. Grunhia desesperado não querendo olhar para trás, de onde vinha um som parecido ao de rastejar de folhas, junto com o choro – agora convulsionado. As chaves escorregavam em meus dedos suados, os dentes pressionados, uma pontada na barriga. Não podia ser,  aquilo não podia ser real... “Meu Deus, o que eu fiz?”. O frio aumentou em minha nuca, uma presença pesada, mortal e agressiva parecia avizinhar-se sorrateira.

Abri a porta e me joguei para fora. Acendi a luz do corredor e tranquei a porta num estrondo, desesperado. Corri de costas pelo corredor. Bati na parede do lado da escada e me deixei escorregar até sentar no chão macio... A sensação de ter escapado do perigo abrandou levemente o pânico, me permitindo tremer e começar a lacrimejar. "Não, na minha casa não, isso não era possível... Isso não existia, era coisa de louco... Estou ficando louco? ...”

Um estalido. Um rangido. Respirei fundo quando viu a velha sair do 54, rosto lívido, me observando. Um sorriso enrugado apareceu no rosto da velhinha:

–  O que aconteceu ? Precisa de ajuda?

- N... N... Não... Está tudo bem, eu só tomei um susto em casa, mas não é nada de mais.

–  Não faz bem alguém tão jovem com uma cara assim, apavorado. Entre em casa, tenho um chazinho de camomila que vai te acalmar.

“Não... Não seja idiota, cara, é uma armadilha. Ela sabe de tudo, ela vai te ferrar. Ela fez isso. Ela é uma BRUXA!” – pensei – “Não... Não seja idiota mesmo, isso não existe... Você está com sono e viu coisas, ouviu coisas... Nada mais” – pensei de novo.

–  Quer ajuda para se levantar?

Me acalmei um pouco mais e comecei a me sentir patético. Isso não existe. Não, isso tem explicação... Já precisei ir a psicólogo antes, já tomei até remédio... Deve ser coisa da minha mente. Me levantei e aceitei o convite da velha.

O 54, assim que adentrado, cheirava a coisas velhas. A luz forte da cozinha e a aparência de normalidade da residência me deixou ainda mais tranquilizado e convencido de que estava delirando. Uma tolo. Só isso que podia ser. Que papelão... Assustar uma velha senhora àquela hora da madrugada...

–  Sente-se. Já volto com o chá.

Sentei-me numa poltrona verde amaciada pelo uso e pelo tempo. Afundei no assento. Juntei as mãos pálidas e geladas por entre as pernas num gesto pueril de aquecimento, e me lembrei de que queria muito fazer xixi.

Foi quando um cheiro estranho correu o ar... Não era camomila. Era um cheiro repugnante, podre. Carne podre. O medo retornou, e o silêncio pesou no ambiente. De repente, tive a sensação de ter sido abandonado na companhia de um predador. Um grunhido... Vindo de trás. Virei-me muito rápido para ver o que era, mas a consciência me esvaiu por um segundo como num ligeiro apagão. Recobrando-a, estava sentado num dos pufs gelados que as vezes ficam na cozinha de meu apartamento. O tique-taque do relógio de parede vinha acompanhado do mesmo choro. Do outro lado da cozinha, no corredor que leva aos quartos, uma velha chorava de costas para mim. Tive a mesma sensação que um condenado à morte deve ter no último momento e resignei-me de sua situação, como presa paralisada. Nada mais fazia diferença e sequer reagi quando me senti engolfado por uma presença traiçoeira, que atacava pelas costas, abraçando-me geladamente... Pouco antes de ser tomada pela escuridão, a velha começava a voltar-se para mim, com vibrantes olhos vermelhos.

Era a Velha do 54.

sábado, 22 de agosto de 2015

Longa noite

Sábado, 22 de agosto, 02:25 da madrugada, não há nada... Não há ninguém...  – Dizia repetidamente para mim mesmo, tentando encontrar nessas palavras alguma verdade a qual pudesse se agarrar. Apertava meus olhos com toda a força que podia. Tentava permanecer imóvel o máximo possível. Os músculos começavam a ficar doloridos e fatigados pelo tempo em que estavam na mesma posição, sem se movimentar. Minha respiração estava ofegante e entrecortada. minhas mãos, postas junto ao peito, começavam a gotejar de suor, umedecendo o tecido fino da camiseta. O lugar estava mergulhado na mais profunda penumbra. Não era possível ver mais do que sombras mal delineadas na escuridão espessa. Mesmo assim não me atrevia a abrir os olhos.

As paredes de pedra negra erguiam-se impiedosas sobre a noite sem lua. A brisa noturna entrava pela fresta da única pequena janela no alto da parede e se espalhava por todo o espaço, deixando o ambiente frio de uma maneira inconveniente. O cômodo era estranhamente úmido, cheirava a mofo e permanecia em um silêncio aterrador, quebrado eventualmente pelo tamborilar quase inaudível de goteiras que caíam aqui e ali. "Não há nada... Não há ninguém..." eu continuava repetindo, tal como um mantra, tentando seguir o ritmo das goteiras.

Eu não tinha noção de qual era a real extensão do lugar, mas parecia ter sido erguido ainda no início dos tempos, pelos primeiros homens das primeiras civilizações, tão antigas que seus vestígios foram apagados da história, restando apenas a construção de pedra fria e úmida. Por alguns momentos, eu pensava poder ouvir os sons do passado, as vozes rarefeitas de uma antiguidade tão distante que não era possível localizar. Aquilo me aterrorizava ainda mais. – Não há nada... Não há ninguém... Apenas o vazio e o escuro. Quando a noite finalmente se for, abrirei os olhos e tudo terá terminado.

Uma súbita rajada de vento arrebentou pela janela alta, fazendo-a bater com brutalidade. A ventania rodopiou impetuosamente pela sala, assobiando tão alto e tão aguda que fez meu corpo estremecer com violência e meus dentes rangerem. Tirei minhas mãos suadas do peito e coloquei-as sobre o rosto, tapando os olhos com desespero. O vento soprava mais forte, gritava mais alto, como almas vindas do além sussurrando em sua danação eterna. As lufadas de ar cortavam meu rosto e mãos como navalhas afiadas. - Não há nada... Não há ninguém... Quando a noite acabar... Quando a noite acabar... – Mas a noite não acabava. Era uma longa noite sem lua.

O horror me sufocava, me estrangulava. Quase podia senti-lo se materializar em torno do meu pescoço, com dedos longos e gelados, apertando cada vez mais forte. O medo cresceu, agigantou-se, tomou todo meu corpo e eu podia senti-lo escorrer por todos os poros, junto com o suor que agora me encharcava por inteiro. Busquei fôlego para gritar. Uma. Duas. Três vezes. Em vão. As gélidas mãos me apertavam com mais força, os finos dedos multiplicando-se, cravando na pele dos meus braços, pernas e tórax. Debati-me desesperadamente tentando livrar-me, numa luta feroz que pareceu durar uma eternidade.

De repente, o silêncio. A ventania cessara. Não havia mais os lamentos infernais, nem as lâminas de ar retalhando minha pele, nem as mãos frias e finas apertando minha garganta. Apenas a quietude, a umidade e uma goteira cantarolando em algum canto. A luz do sol entrou pela janela alta num feixe fraco e vacilante. Pousou sobre meu rosto, dando-me um beijo morno. Num rápido impulso, abri os olhos e percebi que não havia mais a densa escuridão da noite. Uma claridade difusa entrava pela pequena janela, trêmula e frágil, mas o suficiente para retirar a antiga cripta das trevas. Levantei-me e busquei sofregamente por uma saída. Verifiquei as paredes, inspecionei o chão, toquei, bati e arranhei a pedra dura. Não encontrei nada. Nenhuma abertura, nenhuma fresta, nenhum contorno apagado de uma porta ou alçapão. Olhei desolado para cima. Era uma torre sólida, tão alta quanto a vista poderia alcançar. E lá no alto, quase no topo, a pequena janela, a única entrada de ar e luz. Inatingível. Inalcançável. Senti a mão gelada penetrar meu peito e retirar dele qualquer resquício de esperança. Longa noite... Longo dia...

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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Introdução

Meu nome é Jimmy, e venho propagar o medo e o terror a você  com histórias e relatos do meu dia a dia ....
É pra isso que eu vim..

Bem vindo ao meu mundo !!
Bem vindo ao seu pesadelo !!


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