terça-feira, 1 de setembro de 2015

Encontro sobrenatural

Tudo começou nessa última semana, meu amigo me procurou dizendo que tinha visto um homem com roupas antigas, andando pela sala da casa do seu Tio.
Como sempre perguntei para ele se não foi apenas um sonho.
Ele respondeu que não, naquele dia toda a família dele estava na casa do tio dele para almoçar, como era costume nos fins de semana .
Perguntei para ele qual era o aspecto da pessoa que ele tinha visto. Ele respondeu que era uma Pessoa bem alta com barba comprida usando um Sobretudo e um chapéu da época. Ele tinha avisado os familiares mais ninguém tinha acreditado, a mãe dele falou que era só a imaginação dele, ou estava assistindo muito filme de terror.
Então resolvi ir na casa do Tio do Tiago para fazer uma oração, chegando lá percebi que a casa era muito escura, as janelas estavam fechadas.
Perguntei para o Tiago se a casa sempre ficava totalmente fechado, ele falou que era mania do tio dele só quando chegava alguma visita ele abria a casa para luz do sol entrar, no resto do tempo ficava totalmente fechado.
Quando batemos na porta o tio dele nos recebeu,o Senhor Tulio é uma pessoa bem legal mas estava com alguns problemas de saúde.
Então resolvi fazer a Oração, chamei o Tiago e o Tio dele para ir na sala da casa e começamos a Orar, algo estranho aconteceu começou a ventar dentro da sala fechada.depois uma forte corrente de ar conseguiu abrir a janela do quarto, Eu e Tiago fomos ver o que tinha acontecido, a janela estava se debatendo, olhei para o espelho do quarto e vi um vulto rapidamente saindo pela a janela e Tiago ficou assustado.
Mas percebi que o Tio dele não, Perguntei por que não ficou assustado, ele falou que já era normal isso lá na casa dele.
Ele começou a contar alguns relatos estranhos que já tinham ocorrido na casa ele falou que um dia, o fogão começou a acender sozinho e os copos começaram a se quebrarem sozinhos.
Depois desse dia, eu e o Tiago começamos a visitar o Tio dele a semana inteira para fazer Orações.
No dia seguinte, perguntei para o seu Tulio se ele tinha conhecido um senhor alto co barbas longas ele respondeu que não.
Perguntei também, quanto tempo ele morava lá, ele respondeu que tinha mais de 30 anos, e que comprou a casa de uma família Polonesa.
Ele convidou Eu e o Tiago para tomar um café já era,6 horas da tarde e começamos a falar sobre Histórias sobrenaturais.
O tio Tulio tinha falado que já tinha Brincado com a brincadeira do copo quando era mais jovem dentro da casa, ele me perguntou se tinha algo a ver que estava acontecendo na casa, Eu falei que poderia ser isso. Fizemos a oração e Tiago e eu fomos embora.
Nesse Ultimo domingo, Tiago não pode ir na casa pois precisou sair com a namorada dele, então decidi ir sozinho, chegando lá percebi que o clima estava mais pesado.
Percebi que o Senhor Tulio estava Pior, não estava conseguindo sair da cama, quem me atendeu foi um primo do Tiago que estava lá.
O estranho que o Tiago nunca tinha me falado nesse primo, mesmo assim fui no quarto e fi a oração, o primo dele ficou do lado de fora do quarto. O que achei interessante foi o livro que ele estava lendo, um livro muito grosso com a capa preta mas sem nenhuma descrição no lado de fora.
Quando acabei a oração sai do quarto mas o primo do Tiago não estava lá, entrei novamente no quarto e perguntei para o Tio do Tiago aonde estava o filho dele ele falou que não tinha filhos. Nossa, isso foi de arrepiar.
Mesmo assim liguei para o celular do Tiago para perguntar se ele tinha algum primo, ele respondeu dando que sim mas não moram em São Paulo mais sim em Minas Gerais, e faz tempo que não os via. 
Desliguei o celular e me arrepie todo, de fato aquilo não foi normal, sai da casa e fui embora.
De Domingo para segunda tive um sonho estranho, sonhei com o rapaz que me atendeu enterrando o livro dentro da casa, acordei assustado, já era de manha, tomei o meu café e fui Trabalhar.
Na parte da Tarde, às 5 horas sai do serviço e liguei para o Tiago e fomos novamente na casa fazer oração Ouvimos um barulho no quartinho dos fundos, chegamos lá e percebi algo semelhante no meu sonho, era o mesmo lugar.
Pedi para o Tiago pegar uma pá para cavar debaixo da cama, ele achou muito estranho mais entendeu. Comecei a cavar bem fundo até encontrar um vaso muito antigo lacrado e debaixo do vaso um livro com capa preta mais sem nenhuma descrição, Abrimos o vaso e dentro tinha cinzas de algum falecido.
Neste momento estou tentando pesquisar o Histórico da casa e o paradeiro da Família Polonesa que morava na casa. Queimei o livro, e o vaso coloquei no Cemitério da Vila Formosa.

O quarto de hotel

Certa vez,  um homem cansado chegou a um hotel e foi falar com a recepcionista: “por favor, eu queria alugar um quarto para uns três dias”, “com certeza, senhor. O seu quarto é o 333, no 3° andar. As suas bagagens serão levadas daqui a pouco. Mas só um aviso: não entre no quarto 332″. O homem, indignado, perguntou “Porque não? O que há naquele quarto?” “Bom…” , respondeu a recepcionista, “Há um tempo atrás, uma mulher se suicidou e o gerente não quer que ninguém entre lá. Pronto, aqui está sua chave e boa noite.” O homem pensou “que besteira, é só lenda de hotel mesmo” e foi até o seu quarto. Quando passou pelo quarto 332, ficou morrendo de curiosidade, mas resolveu que iria só dormir. Na noite seguinte, ao voltar ao hotel, foi até a porta do 332 e espiou pelo buraco da fechadura. Ele viu uma mulher muito branca, com os cabelos pretos e a cara  virada para a janela. Ele ficou realmente muito curioso, mas resolveu voltar ao seu quarto. No próximo dia, ao ir embora do hotel, resolveu dar uma última espiada na mulher misteriosa do quarto ao lado. Ele olhou pela fechadura e viu tudo vermelho. Pensou “Ah, ela deve ter percebido que eu estava olhando e botou um pano na frente”. Ele desceu até o saguão e se encontrou com o gerente, então perguntou “O que realmente aconteceu naquele quarto 332?” O gerente, perturbado, respondeu “Faz tempo que aconteceu, mas eu ainda lembro bem… Um casal estava hospedado naquele quarto, e por alguma razão, o marido assassinou a sua esposa. Desde aquele dia, a mulher continua lá.” “Entendo…” falou o homem ” Mas como ela era?” e o gerente respondeu “Tinha cabelos pretos, cor de breu, era branca como um lençol e seus olhos são completamente vermelhos…

sábado, 29 de agosto de 2015

Ultimo suspiro



Era uma noite calma, como todas as segundas-feiras. Do céu caía uma fria garoa que em contato com meu corpo proporcionava um arrepio desigual. Tinha recém-saído da aula de economia que hoje se prolongou por mais duas horas, o professor estava com um fôlego, louco para contar suas experiências da viagem à China. Pelo atraso da aula, perdi meu ônibus e tive que voltar sozinha pelas escuras ruas da cidade. Todas as lojas já haviam fechado e pela calçada os poucos que circulavam desapareciam ao entrarem em suas casas. Coloquei meus fones de ouvido para tornar a caminhada mais curta, escutava a quinta sinfonia de Beethoven, tal música me trazia uma paz interior inexplicável. A cada minuto de caminhada parecia que as ruas se tornavam mais escuras e vazias, já não se viam mais carros passando e muito menos pessoas, até as luzes das casas já estavam apagadas e ainda nem se passou da meia noite, havia algo de estranho acontecendo, disso eu tinha certeza.

Comecei a apressar os passos com anseio de chegar em casa logo e correr para os braços de meu marido, que já devia estar preocupado. Estava com a sensação de ter alguém me observando, mas quando procurava em volta, nada encontrava. A cada passo que dava uma gota de suor frio escorria pelo meu rosto, me dei conta que já estava correndo e tinha a certeza que alguém corria atrás de mim.

Não tinha mais forças para olhar para trás, ver quem era, saber o porquê me perseguia loucamente, só não via a hora de chegar em casa segura com a sensação de que tudo passou.

Eu não tinha mais fôlego para correr, decidi parar, me entregar ao desconhecido. Dei meu último passo, meu último suspiro e olhei para trás.

Não havia ninguém, nem ao menos um gato, a rua estava vazia como quando comecei minha caminhada. Pensei estar louca, mas me senti aliviada por ser apenas uma alucinação. Fui andando para minha casa e quando abri a porta dei um suspiro com tanto vigor, como se agradecendo por estar viva. E eis que, ao fechar a porta, encontro um estranho, vestido com um capuz preto, segurando uma faca ensanguentada e me admirando com um olhar maquiavélico. Aquele com certeza foi meu último suspiro


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lighs


Lucas estava perplexo com a lâmpada em seu quarto. Era noite, ele tentava dormir e estava sozinho em casa, como sempre quis. Afinal, quem nunca quis dormir sozinho em casa? Provavelmente a maioria das pessoas.
A lâmpada estava apagada. O interruptor fez barulho. E agora estava acesa. Barulho do interruptor.  E estava apagada. Interruptor. Acesa. E continuava nesse ritmo, há quase meia hora. Como se alguém estivesse brincando com ele, apagando e acendendo a luz. Ele olhava o interruptor que ficava do lado de sua cama se mexendo sozinho, mais apavorado do que nunca. Não conseguia gritar, mas do que adiantaria? Não havia ninguém ali para ouvir. Cansado daquilo, saiu do quarto. Dormiria na sala. Não adiantou. Não totalmente. Ele ainda ouvia o barulho do interruptor, e via a luz fraca, de longe. Ligando e desligando. Após alguns minutos, conseguiu dormir.

Eram três da manhã quando seu celular despertou. Lucas é daquele tipo de pessoa que coloca o celular para despertar em algum dia, por algum motivo (compromisso, tarefas, etc..), e esquece. Mas não se lembrava de ter colocado para despertar a essa hora nunca, até porque ninguém tinha compromisso essa hora.

A luz agora parara de acender e apagar. Já era hora. Como não acontecia nada agora, ele voltou para seu quarto. Estava tudo normal. Exceto pela janela, que estava aberta. E havia respingos de sangue em baixo dela. Ele não estava mais sozinho em casa. Agora havia mais alguém com ele, provavelmente algum foragido que se feriu enquanto fugia da viatura, e conseguiu entrar na casa dele para se esconder, ou algo assim. Foi oque ele pensou.

Correu pro telefone, na sala de visitas, ligaria para a policia, depois para seus pais. O telefone chamou umas duas vezes, e quando atendeu não era um policial. Após uns 3 minutos de silêncio, oque Lucas ouviu foi o mugido de uma vaca que aparentava sentir uma enorme dor, quase como se estivesse morrendo. Enquanto Lucas ouvia, mesmo olhando para o telefone que ele segurava na frente do rosto, não só a luz de seu quarto, mas de toda a casa ligavam e desligavam, todos os interruptores faziam um barulho, quase uníssono.

Lucas largou o telefone, deixando-o pendurado pelo fio, e olhou para o relógio do seu celular. Ainda três da manhã. O tempo literalmente não passava. Enquanto isso o mugido continuava, até que parou repentinamente e o telefone ficou mudo, e as luzes desligaram. A casa estava tão silenciosa, que Lucas ouvia sua própria respiração, de certa forma um pouco calma, mas sentia que tinha mais alguém ali. Sentia uma presença. Mas uma presença diferente, uma presença um pouco... “vazia”. Como se não fosse alguma coisa viva ali, mas como se fosse algo como uma estátua, encarando-o. Devido ás luzes da rua que entravam por algumas janelas, e deixava a casa um pouco (muito pouco) mais clara, ele podia ver uma silhueta no fundo da sala, á uns 15 metros de distância. Uma sombra. Alta. Mas não grande. Apenas como uma pessoa alta. A figura encarava-o. Então, em outro cômodo da casa, a televisão ligou, chiando, muito alto.

Todas as luzes da casa ligaram. Não havia nada ali encarando Lucas. Por um momento ele  pensou que pudesse ter sido apenas uma ilusão de óptica. E um segundo depois todas as luzes se apagaram. E a sombra estava ali novamente, mas dessa vez estava mais perto.

Após 5 minutos olhando a sombra que o encarava, o celular de Lucas tocou, mas a musica que tocou não era a que ele colocou um dia. Oque tocou não foi uma musica. Foi barulho. Barulho de passos de uma pessoa grande em uma casa de madeira. Lucas pegou seu celular. Olhou o número. Estava com o número “123”. As luzes se acenderam e a figura sumira. Como seu celular ainda tocava, Lucas tentou atender, mas não conseguiu. Após um tempo ouvindo aqueles passos vindos de seu celular, a chamada foi perdida. E as luzes, apagadas no mesmo instante.

A sombra estava agora quase em cima de Lucas. Para olha-la, Lucas tinha que olhar para cima. Ela parecia muito maior agora. Parecia ter que se curvar um pouco pra frente para encara-lo. Ele ainda não via o rosto.

A figura pareceu curvar a cabeça um pouco pro lado, as luzes se acenderam. Mas dessa vez a criatura continuava ali. Encarando-o. Lucas não sabia oque era. Creio que ninguém saiba. Era uma criatura horrível. Usava uma capa preta, que não tinha mangas para os braços, e cobria todo seu corpo, menos sua cabeça. E no lugar na cabeça, havia o crânio de um boi. Com a mandíbula toda ensanguentada, como se tivesse acabado de comer algum animal (ou alguém). A criatura encarava-o. As crateras no lugar dos olhos davam-no uma sensação vazia. Uma sensação de que Lucas não sentia nem nunca havia sentido nada. Nada além de medo, de desespero. E era só isso que ele sentia agora. As luzes se apagaram.

Dois dias depois, quando seus pais voltaram, não acharam Lucas. Em sua cama havia sangue. E um bilhete com uma letra estranha e vermelha que parecia tremer na folha, que dizia:

“Você trabalhou no abatedouro. Conversou comigo uma vez. Lembra-se do que me matou? Claro que se lembra. Todos lembram. Lembra-se do meu nome? Não. Porque lembraria? Ninguém lembra. Apenas digo, que a partir de agora, você vai se lembrar de mim. Vai se lembrar quando ver mais casos como o de seu filho nos jornais. Casos de desaparecimento. Casos de pessoas sozinhas em casa que nunca mais foram vistas. Primeiro apenas daqueles que me viram e nunca se lembraram quem sou. Depois serão pessoas de todas as idades, gêneros, raças. Todas. Qualquer um. Quanto mais almas eu conseguir, melhor. O que fiz antes de morrer é conhecido como “pacto”. Fiz apenas por prazer. Todos que me viram me descartaram, e me largaram sozinhos. Agora eu faço oque sempre quis, mas de certa forma não deixo as pessoas exatamente sozinhas. Seu filho queima agora. Queima com todos aqueles que peguei, e vai queimar com todos aqueles que ainda pegarei. E quando você estiver sozinho em casa, você queimará junto dele. Lembre-se de mim como Lights. Quando estiver sozinho em casa e for noite, você irá entender o motivo desse apelido.”

Ao terminar de ler o bilhete, Gregório decidiu que o mostraria à polícia, então deixou o bilhete na cama e foi até o telefone. Quando voltou ao quarto, o bilhete havia sumido, e todo o sangue também. Não tinha nada errado naquele quarto.

Aproximadamente ás 19:00 horas, sua esposa decidiu ir para a casa da mãe, e decidiu que dormiria la, pois queria a companhia de parentes mais “próximos”.

Era agora uma hora da manhã, Gregório estava deitado no sofá da sala, assistindo ao jornal, que falava de outra pessoa que desapareceu depois de ter ficado em casa sozinha de noite; a jornalista disse que a pessoa desapareceu em um Sábado (um dia depois de tudo que aconteceu com Lucas). Gregório lembrou-se então da carta que havia esquecido enquanto ainda era tarde, já que tinha mais coisas pra cuidar, como por exemplo a esposa inconsolável chorando desesperada. Lembrou-se do que estava escrito: “...E quando você estiver sozinho em casa, você queimará junto dele. Lembre-se de mim como Lights. Quando estiver sozinho em casa e for noite, você irá entender o motivo desse apelido.”

A televisão começou a chiar muito alto. O Chiado parou. As luzes da casa se apagaram.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Não pise nas sepulturas


De agora em diante, irei contar algumas histórias aleatórias que não aconteceram comigo..
Tenham um bom pesadelo... 


Em uma noite um grupo de jovens estavam voltando de uma festa ainda animados. eles bebiam e riam alegremente. Até que um deles, ao perceber que estavam chegando perto do cemitério da cidade, decidiu contar histórias de terror. As meninas do grupo foram as que estavam ficando mais assustadas com suas histórias.
- Estamos quase passando pelo cemitério, vocês sabiam que nunca devemos pisar em um túmulo após o sol se por? Se vocês fizerem isto o morto agarra suas pernas e as puxa para dentro da sepultura.
- Mentira. – disse uma delas. – Isto é só uma superstição antiga.
- Se você é tão corajosa, por que não nos mostra? Eu lhe dou R$ 50,00 se você pisar em alguma sepultura. 
- Eu não tenho medos de sepulturas e nem dos mortos. Se você quiser faço isso agora. 
O menino lhe estendeu uma faca e disse: 
- Crave isto em um dos túmulos e então nos saberemos que você esteve lá. 
Sem hesitar a garota tomou-lhe a faca e caminhou até a entrada do cemitério, sobre a surpresa dos olhos de seus amigos que duvidavam que ela tivesse esta coragem. A garota entrou no cemitério onde o silencio era total, sombras fantasmagóricas eram formadas pela luz da lua e ela teve a impressão que centenas de olhos a observavam. Chegando ao centro do cemitério olhou em volta. 
- Não há nada a temer – disse a si mesmo tentando se acalmar. 
Então ela escolheu um túmulo e pisou nele, depois cravou a faca no chão e virou-se para ir embora, mas algo a deteve. Tentou novamente , mas não conseguiu se mover, ficou apavorada! 
- Alguém esta me segurando!!! – disse em voz alta e caiu no chão. 
Como ela demorava a voltar o grupo de amigos decidiu ir atrás dela, caminharam um pouco e a encontraram sobre um túmulo. Ela estava morta com uma expressão de terror no seu rosto. Inadvertidamente a própria garota havia cravado com a faca sua saia no chão, com muito medo ela pensara que algo sobrenatural a segurava e sofreu um ataque cardíaco morrendo em seguida...

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pela escada

Não que eu estivesse atrasado, porém se esperasse por mais alguns minutos certamente ficaria. 
Ajeitei a mochila sobre o ombro e apertei novamente o botão do elevador mas, por mais que ouvisse os cabos se movendo e o motor funcionando, nunca chegava até o meu andar. 
Eram apenas três andares. Preferi usar as escadas. 
Abri a porta do corredor que conduzia ao primeiro lance e o sensor de movimento imediatamente acendeu a luz, revelando o caminho até uma porta no lado oposto, que dava na outra metade do andar.
Hesitei por alguns momentos, de ouvido em pé, para ver se o elevador já estava chegando. Apenas o som do motor continuou ecoando pelo fosso que atravessava os andares, mas nem sinal dele chegar.
Então entrei e fechei a porta atrás de mim, bem no momento que ouvi um "clique" e o sensor apagou a luz. O tempo de espera não era muito longo.
A escuridão caiu maciça à minha volta, negra e quase sufocante. Um indício de claustrofobia me fez agitar os braços ansiosamente, me sentindo um idiota assim que a luz tornou a acender. 
Achei melhor me apressar. Se a luz do andar acima apagasse antes que eu chegasse no perímetro do sensor abaixo, poderia acabar rolando alguns degraus com aquela escuridão tão intensa.
Cada andar era separado por três lances de seis a sete degraus, virando sempre à direita. Desci o primeiro e dei de cara com a escuridão do segundo andar invadindo o segundo lance de escada. Senti um leve arrepio e comecei a descer mais rápido, preocupado com a hora que a luz acima apagasse. 
A luz abaixo levou um segundo a mais para acender, quando atingi o último degrau do terceiro lance. No instante seguinte ouvi o "clique" da luz acima se apagando.
"Melhor descer um pouco mais rápido", pensei. Como da outra vez o lance do meio estava escuro até a metade. Acelerei o passo, começando a ficar mais nervoso do que imaginei que ficaria.
Curiosamente, dessa vez a luz superior apagou antes que eu terminasse o terceiro lance e a escuridão o envolveu por dois segundos.
Nesses dois segundos senti algo que me apavorou: algo me espreitava através da escuridão. Podia sentir e quase ouvia sua respiração. A luz superior continuava apagada.
A luz do andar que eu estava acendeu. Não havia ninguém.
Agora comecei a descer as escadas correndo, sentindo um suor frio escorrer pela minhas costas. Não fazia sentido algum, mas quanto mais rápido eu ia, mais rápido as luzes apagavam e mais tempo demoravam a acender.
Já não fazia ideia de em qual andar eu me encontrava, nem quantos lances ainda haveria de descer, mas a presença que me perseguia era uma certeza constante e cada vez mais próxima. Ouvia passos, mas não conseguia identificar se eram os meus que ecoavam escada acima.
Tropecei e deixei a mochila cair. Ouvi o "clique" da luz superior apagando e nada da próxima luz acender. Abaixei-me e tateeio chão atrás da mochila, notando que por mais ruidosa que minha respiração estivesse, não encobria o pavor de sentir que algo se aproximava inexorável e lentamente pelas minhas costas, como se tivesse a certeza de que me alcançaria por mais que eu corresse. 
A luz acendeu e vi o "T" pintado na parede. Finalmente o térreo. Peguei a mochila a tempo de sentir um leve movimento cálido em minha nuca.
Corri em direção à porta de saída sem coragem de checar se tinha mesmo alguém atrás de mim e quanto mais corria, mais longe a porta ficava. Me desesperei. Algo escorreu pelo meu rosto. Poderia ser suor ou lágrimas, mas não lembrava de ter começado a chorar. Faltava pouco e estendi a mão para segurar a maçaneta. Um último impulso e soltei um gemido que foi quase um grito de terror. Se demorasse mais um segundo para alcançar a maçaneta a luz poderia…
"Clique."

Reflexo

Você sabe quem eu sou. Não finja o contrário. Você me ignora e isso está me irritando. Eu te vejo todos os dias, desde quando você nasceu, porém você não sabe disso. Eu realmente queria conversar com você mas porque você não vem quando eu te chamo? Tento te convencer a vir usando as vozes de pessoas que você conhece mas você é esperto, não cai nessa. O máximo que faz é perguntar se alguém te chamou. Você ainda não sabe do que eu estou falando? Sabe quando você ouve alguém te chamar mas quando vê é só impressão? Era eu quem te chamava para me fazer companhia mas você era esperto e não ia. Ainda não sabe quem eu sou? Eu sou você. Eu sou seu reflexo. Por que não quis vir quando eu te chamei para trocar de lugar comigo no espelho?